quinta-feira, 29 de março de 2012

Jovem rural ganha autonomia para realizar projetos próprios com ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário


Jovem rural ganha autonomia para realizar projetos próprios com ações do MDA

Foto: Eduardo Aigner/MDA


Jovem rural ganha autonomia para realizar projetos próprios com ações do MDA

28/03/2012 12:16

Terra para produzir e uma linha de crédito especialmente formulada para quem tem ideias e projetos inovadores na cabeça são os instrumentos que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) tem colocado à disposição da juventude rural: já são quase 32 mil jovens beneficiados por meio do programa Nossa Primeira Terra e que podem acessar o Pronaf Jovem, linha de financiamento que oferece 10 anos para pagamento com juros de 1% ao ano para os jovens agricultores familiares entre 16 e 29 anos.

“As linhas voltadas para o jovem do campo oferecem um bem precioso para qualquer pessoa que está começando: autonomia”, afirma Ana Carolina Silva, assessora especial para a Juventude do MDA, com uma boa notícia: em 2012, o ministério trabalha para reforçar uma série de políticas e programas que procuram consolidar a confiança no jovem rural, para que ele possa construir sua identidade e cidadania sem ter que deixar o campo.

Um deles é o Nossa Primeira Terra, criado dentro do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PCNF), que tem o objetivo de possibilitar aos jovens brasileiros a oportunidade de permanecer no campo e contribuir para o desenvolvimento rural ao invés de migrarem para as grandes cidades. O programa visa atender a jovens de até 28 anos que não sejam proprietários de terra, filhos de agricultores e estudantes de escolas agrotécnicas que desejem adquirir uma propriedade rural.

Desde a sua criação, o Nossa Primeira Terra já beneficiou quase 32 mil jovens, num investimento total de R$ 106 milhões em novas ideias e braços da agricultura familiar. Por meio desta linha, as instituições parceiras podem inscrever diretamente as propostas dos grupos de potenciais beneficiários. Desde 2010, o programa passou a atender a todos os jovens da faixa etária compreendida, mesmo que não façam parte de associações.

“O MDA enxerga que estes jovens precisam de incentivo para realizar seus projetos e os apoia, quando normalmente um banco qualquer recusaria crédito”, salienta Ana Carolina. Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos jovens que querem começar um negócio é conseguir apoio para financiar o projeto. Por isso, o MDA procura atender a essas demandas por meio de uma linha de crédito específica: o Pronaf Jovem.

Pronaf Jovem
Voltado unicamente para o apoio de projetos conduzidos pelos jovens do campo que objetivam ter a própria produção e gerar renda, o Pronaf Jovem é uma linha de investimento direcionada para agricultores com idade entre 16 e 29 anos que desejem financiar qualquer atividade geradora de renda, como projetos agropecuários, de turismo rural, de artesanato, implantação de pomar e horta. Inserida no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a linha de crédito procura estimular a permanência do jovem na terra com autonomia.

O limite de financiamento é de R$ 12 mil, com carência de 3 anos e prazo para pagamento de 10 anos, a juros de 1% ao ano. “A ideia é fortalecer o programa no sentido de ampliar o acesso do jovem rural a essa linha, inclusive através da instituição de uma política específica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater)”, defende Ana Carolina.

Além da terra, o jovem precisa de instrumentos técnicos para utilizá-la e produzir. Para isso, observa Ana Carolina, o MDA entende que a política de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) é uma ferramenta importante para promover autonomia econômica, social e política para os jovens do campo, na perspectiva do fortalecimento da agricultura familiar e do desenvolvimento rural sustentável e solidário.

Neste âmbito, o MDA estuda a criação de uma política de Ater específica para a juventude, visando promover mecanismos concretos de valorização e visibilidade da juventude do campo.“As ideias do jovem são diferentes das dos pais, e estes últimos normalmente são os membros da família que possuem a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), documento necessário para a inscrição dos projetos. As linhas voltadas para eles oferecem um bem precioso para qualquer pessoa que está começando: autonomia”, pontua Ana Carolina.

Pronacampo
Além da educação formal escolar, que todo cidadão tem direito de receber desde criança, o jovem rural recebe um aprendizado próprio, passado pela família: o saber rural. Por isso, todas as ações do MDA procuram respeitar e reafirmar a existência dessa cultura própria, bem como valorizá-la na mesma medida da educação escolar.

Lançado na semana passada pela presidenta Dilma Rousseff, o Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo), do Ministério da Educação, procura oferecer apoio técnico e financeiro a estados e municípios para implementação da política de educação do campo, observando e respeitando o saber rural da família. Para Ana Carolina Silva, esta compreensão da importância do saber tradicional é valiosa no programa. “Durante muito tempo, a população rural reivindicou uma política de educação que respeitasse as especificidades do campo. O Pronacampo vem juntando experiências de políticas anteriores para atender a essa demanda”, afirma.

Com o apoio do MDA, que integra a Comissão Nacional de Educação no Campo, o Pronacampo irá garantir a ampliação e qualificação da oferta de educação básica e superior para as populações rurais, contemplando as especificidades dos modos de produção, conhecimento e cultura de cada região. A construção de 3 mil escolas, obras de infraestrutura, além da aquisição de 8 mil ônibus escolares, qualificação de professores, gestores e coordenadores pedagógicos que atuarão no campo estão entre as principais ações do programa.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Lula vence batalha contra o câncer

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu exames que mostram a remissão completa do câncer que possuía. Abaixo segue o depoimento de agradecimento por mais essa vitória.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Pepe Vargas é empossado ministro do Desenvolvimento Agrário



Na manhã desta quarta-feira (14), o deputado federal Pepe Vargas (PT) foi empossado como ministro do Desenvolvimento Agrário. Pepe substitui Afonso Florence, que retomará seu mandato como deputado federal pelo PT da Bahia.

Em seu discurso, já empossado como ministro, Pepe agradeceu a confiança da presidenta da República Dilma Roussef, e prometeu se dedicar ao cumprimento da missão do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), fortalecer a agricultura familiar, superar a pobreza extrema no meio rural, e ampliar e aprofundar o diálogo com os movimentos sociais do campo.

Pepe destacou o trabalho do ex-ministro Afonso Florence à frente do MDA, principalmente em ações que acabem com a miséria no meio rural, e na criação da Rede Brasil Rural, que apóia a comercialização dos produtos da agricultura familiar. Também se comprometeu com a continuidade a esses programas.

O novo ministro pediu a compreensão de seus apoiadores em Caxias do Sul, que o queriam novamente como prefeito, pois também poderá servir à cidade como ministro.

Emoção no encerramento

Ao terminar sua fala, Pepe se dirigiu à sua família pedindo seu apoio e compreensão pelos períodos de ausência. Desde 2007, quando tomou posse como deputado federal, Pepe Vargas se divide entre Brasília e Caxias do Sul.

As últimas palavras de seus discurso deixam claro seu compromisso com uma nova sociedade, o acerto da escolha da presidenta Dilma, e a falta que Pepe fará como candidato à prefeito nas eleições deste ano.

"Sonhamos, junto com milhões de outros brasileiros e brasileiras, um mesmo sonho. O sonho de um Brasil rico, de um Brasil sem probreza, sem miséria, e sem nenhuma forma de opressão. E trabalhamos pra transformar esse sonho em realidade. Este é o nosso sonho, essa é a nossa luta, essa é a nossa razão de viver, e não descansaremos até alcançá-la."

Para assistir a primeira parte da posse, com as falas de Afonso Florence e Pepe Vargas, clique aqui.

Para assistir a segunda parte da posse, com a fala da presidenta Dilma Roussef, clique aqui.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Artigo: Políticas Públicas de Juventude no Brasil

Por Cristiano Cardoso

Este artigo é uma crítica quanto à análise sobre o desenvolvimento das políticas de juventude no Brasil. Procuro compreender melhor esse processo existente no país, unindo meus conhecimentos acadêmicos, adquiridos nesta instituição de ensino à minha experiência enquanto militante, seja partidário, estudantil ou comunitário, contribuindo nesta importante reflexão.

Penso que hoje existe um acelerado processo de globalização que influencia nas crescentes desigualdades sociais, sendo os jovens os mais atingidos, tanto no processo de transformações sociais, principalmente no mercado de trabalho, cada vez mais restrito e mutante, como através das distintas formas de violência, seja ela física ou simbólica.

Essa seria uma das possíveis causas da vulnerabilidade da condição juvenil e de tanta expressão hoje em dia da pauta de políticas públicas direcionada aos jovens, visualizando enquanto conquista social. A partir dos anos 80 em vários países aconteceram iniciativas governamentais e não governamentais para a inclusão de segmentos juvenis. No Brasil isso começou nos anos 90 onde foram enfatizados de aspectos singulares, identificando vulnerabilidades, demandas e potencialidades.

Em 2003, o Instituto Cidadania desenvolveu o Projeto Juventude, realizando uma ampla pesquisa nacional, desenvolvendo uma interlocução entre movimentos juvenis, organizações não governamentais e especialistas, realizando vários seminários regionais e um internacional.

No mesmo ano o Poder Legislativo criou a Comissão Especial sobre Políticas Públicas de Juventude, realizando audiências públicas, uma conferência nacional e visitas para conhecer experiências no Exterior.

Deste processo construiu muitas propostas: uma Emenda Constitucional sobre o tema, um Plano Nacional de Juventude e o Estatuto da Juventude.

Em 2004, por solicitação do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, o Ministro Luiz Dulci, titular da Secretaria Geral da República, criou um grupo interministerial para examinar as políticas públicas direcionadas para a juventude desenvolvidas no Governo Federal nas mais diversas pastas.

Em 2005, a lei 11.129 criou a Secretaria Nacional de Juventude, vinculada a Secretaria Geral da Presidência da República.

Coordenada por Iraneth Monteiro, secretária executiva da Secretaria Nacional de Juventude na época e por Beto Cury, sindicalista histórico, então nomeado Secretário Nacional de Juventude e com participação expressiva de técnicos do IPEA, foram encontrados 19 programas e ações na época focada nesse público. Produzindo-se assim um diagnóstico e muitas recomendações.

Com a criação da Secretaria Nacional de Juventude começou-se a serem articulados e supervisionados todos os programas e ações voltados para os jovens.

Observamos que é necessário continuar a construção de um novo paradigma em torno do tema juventude. É preciso continuar consolidando uma política nacional direcionada aos jovens, pois disputar concepções de juventude é também disputar caminhos de intervenção social na realidade juvenil.

Cristiano Cardoso é acadêmico em Ciência Política, membro da coordenação da Juventude do Partido dos Trabalhadores de Caxias do Sul e coordenador da Unidade e Luta Democrática em Caxias do Sul, tendência interna do PT.